quarta-feira, 27 de maio de 2015

Romance Julho Transformador - Cap 2


2.     Recomeço

Todo onipotente no suntuoso terno Armani preto, com um sapato preto italiano, gravata vermelha e camisa azul, cabelo penteado, estava em pé próximo a janela do escritório com os braços cruzados, olhava as pessoas que transitavam lá em baixo. O fluxo do transito. A chuva se chocava contra o vidro do escritório, olhava os diferentes modelos e cores de guarda-chuva, como as diversas capas de chuva, sentia-se o todo poderoso, quando ouve um bater forte na porta. Fingiu não ouvir, a pessoa insistiu. Respondeu sem nem olhar para trás.
— Pode entrar!
Uma estonteante secretaria entra. Loira cabelos lisos até o meio da costa, sorriso encantador, estava de mine saia e terninho preto, era um misto de beleza e formosura.
— Senhor Francisco Áv...
— Me chame de Ávila estamos sozinhos. — a interrompe, e olha fixamente para o belo corpo da moça. Cobiçando-a.
— Ávila estão te aguardando na sala ao lado para a entrevista.
— Deixem esperar! Tenho algo mais interessante para fazer agora. Feche a porta e venha aqui.
Ela obedeceu, andou vagarosamente para o lado dele, chegando perto, ele que começou a desabotoar o terninho, mostrando o volumoso decote, dos quais os peitos pareciam querer saltar para fora, quando passou a mão na mesa jogando todas as folhas e caneta no chão. A segurando pelos braços a coloca em cima da mesa, dizendo:
— Aqui será um ótimo lugar!
— Nossa hoje você está muito safado Ávipemmm Pemmm. — reluta balançando a cabeça.
Pemm pemm. Tentou voltar para a belíssima secretaria. Pemm pemm. Mas o barulho insistia. Abriu os olhos.
Era um sonho, um maravilhoso sonho do qual não queria ter acordado, ainda mais naquele momento, desligou o celular, pensou se tudo não tinha passado de um grande sonho mesclando pesadelo e paraíso. Olhou para o peito e viu os resquícios da atordoante realidade. Suspirou dizendo:
— Realmente aconteceu.
Francisco vai para escritório, senta na cadeira e aperta o botão da secretaria eletrônica para ouvir os recados.
— Tem uma mensagem! Para ouvi-la aperte um! — aperta.
— Senhor Francisco Ávila aqui quem fala é o Paolo Mendes gerente da sua conta, estou ligando para lhe informa que temos um produto no banco ideal para sua necessidade, me retorne para combinarmos uma visita e assim lhe explicar e levar prospecto do produto! Agradeço a atenção! Espero seu retorno. Obrigado.
— Nossa o único que se lembrou de mim foi o gerente do banco, ou vai ver, se lembrou dele!
Na cozinha pegou algo para comer tentando tirar aquele gosto amargo da boca, o gosto de remédio. O cheiro de hospital o perseguia, sabia que só sairia dentro de alguns dias, retorna ao escritório liga o televisor e diz:
— Vou levar uns dois dias só para me atualizar! Mais antes disso vou olhar meus investimentos!
No site da corretora visualiza os investimentos, faz uma breve comparação com outros investimentos, analisa ações de empresas os suportes e resistências, compara e fala:
— Se estivesse presente teria aproveitado mais, porém foi um bom lucro.
Esforçava para prestar atenção nas notícias que passavam no televisor e informações da internet, durante uns minutos conseguiu, mas um pensamento lhe roubou a concentração, fazendo parar duas vezes de digitar, não aguentou e esbravejou:
— Como assim! Ninguém foi me visitar no hospital! Não é possível! — pegou o celular foi na agenda e vendo todos os nomes reconheceu Percival Diniz de Castro. — Vou ligar para o Percival, e liga.
— Oi Percival tudo bem? Aqui é seu amigo Francisco Ávila! Tudo bem?
— Amigo! Amigo que nada! Lembra-se da dica quentíssima que você me deu sobre uns lotes de terrenos, que seriam vendidos por uma pechincha... então comprei e o que aconteceu depois, descobri que o terreno é impróprio para construção, e com isso o valor dos imóveis caíram setenta por cento, pior amigão é que a empresa que estava vendendo te deu uma comissão pela venda, amigo que nada. Estava torcendo pra você morrer, pena que isso não aconteceu, precisarei cancelar a festa, pior é que os convidados ficaram chateados não pela festa, mas por você. — Tututu. desliga o telefone na cara de Francisco.
— Nossa nem me lembrava dessa historia, pelo menos descobri quem iria dar a festa se seu morresse. O mundo é dos espertos, se não tinha aprendido essa simples lição, com certeza o ensinará! É melhor dar preferência as mulheres deixa-me ver... Carol! Vou ligar pra ela.
— Ola Carol tudo bem? Aqui é o Francisco Ávila!
— Nossa tudo as mil maravilha! Lembra o que você me prometeu se eu saísse com você, então saímos. Fomos ao restaurante de sua escolha, você achou melhor irmos a um lugar mais reservado, para conversarmos melhor sobre minha promoção e lá no motel você aproveitou bastante, mas na hora da promoção o que recebi foi uma carta de demissão. Dizendo que não servia mais para a empresa, você é um cachorro, um filho da... — Francisco desliga o celular e dizendo:
— Deveria ter apagado o telefone dela! Deixa me ver... Sharon! Não me lembro de ninguém com este nome, creio que não deve ser pior que a ligação anterior, tentar não mata mesmo! — apertou chamar.
— Oi Sharon tudo bem? Aqui é Francisco Ávila!
— Oi Francisco Avi o que?
— Francisco Ávila!
— Ah sei! O ricaço do San Martin, tudo bem, vai querer fazer um programa hoje. Agora estou cobrando quinhentos!
— Quinhentos! Não esta muito caro não? Quanto era antigamente?
— Quanto mais tem menos quer pagar, tudo bem eu faço o mesmo preço da ultima vez. Quatrocentos.
— Hoje não! Outro dia te ligo! — encerra a ligação.
Ele vê um com o nome trabalho e diz:
— Nossa o pessoal do trabalho devem estar preocupado comigo! — aperta para chamar.
— Investe Sênior Rafael! Boa tarde!
— Boa tarde! Rafael aqui é Francisco Ávila! Como anda as coisas por ai?
— De mal a pior! Depois que você saiu da empresa para se tornar sócio da HF Empreendimento, as coisas não estão nada bem por aqui, perdemos um terço de nossos clientes. Que foram para a empresa que você ficou sócio, mas é isso que move o mundo, o dinheiro, e pagando bem que mal tem!
— Que pena Rafael! Mas eu vou dar uma passada ai pra conversa com o Brito...
— Na boa! Nem faça isso! Porque ele esta uma pilha de nervos! Esta perdendo clientes e pior, a rentabilidade dos empreendimentos estão caindo drasticamente. Ele me contou, que um dia desses ligaram do hospital perguntando se te conhecia, foi categórico dizendo que nunca conheceu e nem queria te conhecer. Então deixe a poeira baixar, quem sabe daqui uns cinco...
— Tudo bem! Daqui uns cinco dias eu passo ai.
— Meses Francisco Ávila! Quem sabe daqui uns cinco a seis meses, talvez o Brito esqueça essa historia.
— Obrigado pela dica Rafael! Desculpa por tudo!
— Tudo bem! Tchau!
Ávila começa a olhar alguns números, vários eram telefones de empresas, de bancos, porém um o chama a atenção, justo porque não tinha nenhuma identificação e somente o numero do celular, era talvez alguém que nem tinha interesse em ligar, mesmo assim ficou curioso, afinal não deveria ser pior que os anteriores.
— Bom dia! De quem é esse celular?
— Bom dia! Com quem você queria falar?
— Eu tenho esse numero anotado em meu celular e gostaria de saber de quem é, e do que se trata? Meu nome é Francisco Ávila!
— Ola senhor Francisco aqui quem fala é Marcos Freitas! Que bom que ligou. Apesar de fazer quase um mês que conversamos. Fico contente que tenha decidido me ligar, pois estamos precisando do senhor.
— Ah já sei! Vocês devem ser de alguma ONG. Um grupo de ajuda a pobres necessitados estão precisando de contribuição financeira, mas já ajudo varias obras assistenciais, até tenho uma funda...
— Sempre precisamos de dinheiro, mas não é nossa prioridade no momento, gostaria de conversar pessoalmente com o senhor para lhe explicar melhor, tenho certeza que o senhor nem imagina do que se trata. É possível?
— Eu estou com o tempo curto ultimamente...
— Tem algo para fazer amanhã às três da tarde?
— Desculpa esse horário não posso! Estarei trabalhando!
— E a noite? Que tal umas oito da noite?
— Vou ver! Vamos fazer assim te ligo e combinamos o horário!
— Ficarei aguardando obrigado! O senhor não sabe o bem que estará fazendo!
— Ah eu sei! — desliga o celular e coloca para apagar o telefone e na hora de confirmar fica na duvida e cancela a ação.
Coloca o celular em cima da mesa do escritório e olha pela casa procurando algum retrato de um conhecido, não encontra ninguém somente fotos dele sozinho, em vários pontos turísticos como Arco do Triunfo, Muralha da China, Cataratas do Iguaçu, Cristo Redentor, entre outros, mas em todos sempre sozinho.
Vai até a cozinha abre à geladeira pega água, toma vagarosamente, levanta a camisa e olha para pequena marca no peito, agora quase coberta pelos cabelos que cresceram.
— Se tivesse morrido o único que sentiria minha falta seria o Paolo Mendes gerente do banco, mais ninguém. — sentiu um grande cansaço, tentou ainda lutar para ficar acordado mais foi vencido indo para a cama.
O sol começa a adentrar o quarto a claridade o faz despertar, olha para o relógio eram nove horas da manhã, levantou foi pegar o jornal que estava no hall da entrada, olhou para a pilha, porém, pegou somente o do dia. Um exemplar das duas assinaturas que possuía. Entrou puxou o interfone dizendo:
— Retirem os jornais que estão no hall do meu apartamento. — desligou o telefone subitamente nem deixando a pessoa se identificar, ou argumentar algo.
Na cozinha fez um café, pegou uma caneca enchendo-a, ficou tomando e lendo o jornal, logo soou um alarme, faltavam quinze minutos para a abertura do pregão na bolsa de valores, programou algumas operações.
O sentimento de estar esquecendo algo estava incomodando, porém, pior quando se lembrou a sociedade na HF Empreendimentos. Havia combinado com o Barros diretor executivo do grupo, que assumiria o cargo de diretor de investimentos depois que fosse feita a alteração no contrato social, isso levaria um tempo até ser finalizado o processo.
Não tinha recebido nenhuma ligação para avisar como andava o processo. Foi ao computador abrir a caixa de e-mail para ver se tinha chegado mensagens, os únicos e-mails que recebera foram de propagandas.
Voltou a tomar café, o desejo de conversar com alguém pessoalmente o fez pegar o celular, ficou olhando o numero da Sharon, porém, sabia que mesmo uma conversar trivial com ela lhe custaria quatrocentos reais.
— Melhor não! Vamos ver a proposta do Marcos Freitas. — ligou.
— Oi Marcos aqui é o Francisco Ávila!
— Olá senhor Francisco Ávila que surpresa! Tudo bem?
— Tudo! Estou ligando para avisar que tenho um horário vago hoje às dezessete horas e trinta minutos até as dezoito horas e dez minutos, esse tempo é suficiente para expor sua proposta?
— Sim! É o suficiente sim! Podemos nos encontrar na praça de alimentação do shopping da zona Sul!
— Não mesmo! Sinto muito, fica longe da minha residência, além do fato do ambiente não ser propicio, devido à quantidade de pessoas. A poluição sonora lá é muito grande, prefiro o Café Rio pode ser?
— Fica muito longe pra mim!
— O que? Achei que fosse seu interesse em conversar comigo. Se estiver difícil é melhor deixarmos! — respondeu ríspido.
— Realmente você esta coberto de razão senhor Francisco Ávila! Estarei no Café Rio às dezessete horas e trinta minutos.

— Combinado então não se atrase meu tempo é muito precioso! — desliga o celular abruptamente.

...

Leia Capítulo 3 Rio

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